Estaleiro Promar vai gerar 10 mil novos empregos em Suape
Apenas na construção, que vai durar 12 meses, serão investidos R$ 300 milhões. Os oito navios gaseiros dentro do Promef vão custar quase R$ 1 bilhão. Primeira embarcação será lançada em 2012
Fonte: Diario de Pernambuco – 02.07.2010 – Economia
Pernambuco deu mais um passo ontem na consolidação da indústria naval no Complexo Industrial e Portuário de Suape, com o anúncio da instalação do estaleiro Promar. Sociedade da STX Brasil Offshore S.A. - subsidiária da empresa coreana referência no setor - com a PMRJ, a fábrica de navios venceu concorrência da Transpetro para a construção de oito navios gaseiros, ao custo de US$ 536 milhões (R$ 959,44 milhões), do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).
Apenas na construção do estaleiro serão investidos R$ 300 milhões. A previsão é de geração de 2.700 empregos diretos e outros 7.300, indiretos, totalizando 10 mil postos. Com as encomendas já contratadas, haverá trabalho até 2014 para o novo estaleiro pernambucano. São quatro navios de 7 mil m3; dois de 12 mil m3; e dois de 4 mil m3, que foram reunidos num único lote. Além dos gaseiros da Transpetro, a STX demonstrou interesse de participar das licitações de outras 146 embarcações offshore doprojeto de expansão da frota da Petrobras.
O Promar, cuja proposta previa instalação no Ceará, acabou caindo no colo pernambucano depois de um impasse quanto à área de implantação no estado vizinho. Diante da impossibilidade de construção no Ceará, os empreendedores saíram em busca de outro local para implantar o estaleiro e em apenas duas semanas conseguiram viabilizar a documentação exigida (licença ambiental prévia e posse do terreno).
"Este anúncio consolida a posição de Pernambuco como maior polo da indústria naval brasileira. Num prazo recorde, o estado conseguiu nos atender e achar soluções para que pudéssemos anunciar este investimento. Em breve, teremos aqui muita geração de empregos", destacou o presidente da STX Brasil Offshore S.A., Miro Arantes.
A agilidade do governo foi ressaltada várias vezes durante o anúncio da Transpetro, que recebeu a documentação do consórcio responsável pelo Promar apenas na noite da última terça-feira (29), quase no limite legal para a manutenção da licitação e também para garantir os preços acordados entre o Promar e os fornecedores de materiais, cujas propostas de preços têm prazo até o dia 10 de julho para contratação.
"O estaleiro tem que ser virtual, mas tem que ser real também. É preciso ter o terreno e as licenças ambientais. Pernambuco respondeu com agilidade, o nosso jurídico analisou com profundidade toda a documentação e em 12 meses estará concluída a construção, para que em 2012 possamos lançar o primeiro gaseiro", explicou o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, deixando claro que a empresa está em busca de um terreno para, enfim, viabilizar um estaleiro no Ceará.
Sem querer alimentar a disputa entre os estados, o governador Eduardo Campos destacou a importância de o projeto ter permanecido no Nordeste. "Mais estaleiros estão chegando. Outros estaleiros vão para Suape, para a Bahia, para o Ceará. O importante é termos conseguido atender esta demanda, que nos ajuda a atrair mais investimentos".
Frases:
"Quando eu visitava os estaleiros, era recebido praticamente pelo porteiro. Ninguém acreditava. Hoje somos recebidos pelos donos, com tapete vermelho, como grandes que somos na indústria naval. Já temos a quarta carteira de petroleiros do mundo, passamos a Turquia e a previsão é dobrar a nossa produção de petróleo até 2020. É o tamanho do Brasil hoje no mundo" Sérgio Machado presidente da Transpetro
"Estamos no caminho de consolidar Suape como grande sítio de petróleo, gás e offshore. Um setor com vida longa, ligada ao crescimento econômico e com capacidade de mudar a economia" Eduardo Campos - governador de Pernambuco
"O trabalho realizado pelo estado para receber o estaleiro Promar vai se refletir na economia e em breve vamos ter muitas gerações de empregos aqui. O cluster da construção naval vai mudar de região e vai ser aqui em Pernambuco" Miro Arantes presidente da STX Brasil Offshore S.A.
"A indústria naval vai ajudar a transformar o perfil da economia pernambucana. Ogoverno está vencendo o desafio de qualificar a mão de obra para ocupar os melhores empregos e salários que estão sendo gerados" Fernando Bezerra Coelho secretário de Desenvolvimento Econômico
Estaleiro Promar
Investimento - R$ 300 milhões
Sócios: A empresa STX Brasil Offshore S.A. (braço da empresa coreana referência na construção naval) e a PMJR, que também tem participação no Estaleiro Atlântico Sul (EAS)
Onde?
Complexo Portuário e Industrial de Suape, em Ipojuca, numa área de 80 hectares, próxima ao EAS
O que vai construir?
- As primeiras encomendas são para oito navios gaseiros para a Transpetro, através do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). São quatro navios de 7 mil m3; dois de 12 mil m3; e dois de 4 mil m3
- O valor total dessas contratações é de US$ 536 milhões (R$ 959,44 milhões*), com entrega de todas as embarcações prevista para até 2014. O primeiro navio será entregue em 2012.
Geração de Empregos: 10 mil
- 2.700 na construção do estaleiro e dos navios
- 7.300 de forma indireta
Mão de obra necessária: soldadores, montadores, funileiros, eletricistas, operadores de máquinas, de veículos de carga, de trator e empilhadeira, entre outras funções relacionadas à construção civil e à indústria naval. O consórcio responsável pelo Promar utilizará o mesmo mecanismo adotado pelo Estaleiro Atlântico Sul para capacitar e contratar a mão de obra.
* Cotação do dólar de 1º de julho de 2010 - R$ 1,79
Oportunidades em cadeia
O ressurgimento da indústria naval brasileira nos últimos oito anos faz renascer também uma série de cadeias produtivas em torno das "fábricas de navios". A construção das embarcações é uma grande montagem de peças de vários tamanhos e funções, que demandam produtos de variados setores industriais.
Desde que começaram as construções dos primeiros navios pelo Promef, já foram gerados 15 mil empregos diretos e a expectativa da Transpetro é que quando todas as unidades estiverem contratadas, o número alcance 40 mil postos de trabalho diretos e outros 200 mil indiretos. Os números têm relação também com uma das exigências do programa, de que pelo menos 70% dos fornecedores sejam nacionais.
"A indústria naval brasileira não será uma maldição, com concentração de poder e renda. Será uma dádiva, com geração de emprego e renda para os brasileiros", disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, pouco depois de lembrar o lançamento do petroleiro João Cândido, primeiro dos 49 navios previstos pelo Promef, lançado aomar no último dia 7 de maio.
Das 49 embarcações do Promef, 46 já foram licitadas e 33, efetivamente contratadas, com um total de US$ 3,9 bilhões. Há uma semana, o segundo navio do Promef, o Celso Furtado, foi lançado no Rio de Janeiro, pelo Estaleiro Mauá. Sérgio Machado lembrou que o Brasil já ultrapassou a Turquia e hoje já possui a quarta carteira de petroleiros do mundo, com previsão de dobrar a produção de petróleo até 2020, devido à demanda gerada pela exploração de petróleo na camada pré-sal. Em Pernambuco, apenas o Estaleiro Atlântico Sul tem encomenda para construir 22 petroleiros e o casco da plataforma P-55, da Petrobras. Somados aos oito gaseiros do Promar, a recém-nascida indústria naval pernambucana terminará a próxima década com know how de, no mínimo, 30 navios produzidos.
"Os dois estaleiros (EAS e Promar) vão proporcionar a atração de uma indústria auxiliar. Pernambuco será referência", destacou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho.
"O tamanho do Brasil é diferente de sete anos. Quando visitava os estaleiros, era recebido praticamente pelo porteiro. Ninguém acreditava. Hoje somos recebidos como grandes que somos na indústria naval", disse Sérgio Machado. Prioridade para a mão de obra local
A inserção da mão de obra local nos grandes empreendimentos que estão sendo implantados em Pernambuco é o grande desafio para que estas indústrias sejam fomentadoras de prosperidade e não de aumento da desigualdade social. Até agora, segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, 90% dos trabalhadores contratados pelo Estaleiro Atlântico Sul são da região e a intenção é que aconteça o mesmo com o Promar.
Segundo o presidente da STX Brasil Offshore, Miro Arantes, o Promar utilizará o mesmo sistema adotado pelo EAS para qualificar e contratar trabalhadores. As especificações exigidas, segundo Arantes, são semelhantes para construir navios petroleiros e gaseiros, algo que deve facilitar o aproveitamento das pessoas já treinadas. "Existe um centro de treinamento na região. Vamos iniciar o processo e contratar pelo mesmo sistema já adotado", explicou Miro Arantes.
Soldadores, montadores, eletricistas e operadores de diversos tipos de máquinas e veículos estão entre a mão de obra necessária para a construção do estaleiro e dos navios do Promar. Prevendo a demanda por mão de obra, em maio deste ano, o governo assinou um convênio com o Serviço Social da Indústria (Sesi) para capacitar mais 10 mil pessoas até o fim de 2010 nas disciplinas de português, matemática e raciocínio lógico.
Numa etapa mais avançada, a Transpetro realizou ontem, juntamente com o Sebrae, um encontro com pequenos e médios empresários locais interessados em fornecer mobília para o navio João Cândido - primeiro lançado ao mar pelo Promef. O objetivo foi esclarecer sobre o sistema de compras e sobre as demandas do navio, que necessitará de itens de cama, mesa, banho e cozinha, eletrodomésticos, equipamentos de proteção individual, ferramentas e itens dás áreas náutica, elétrica e eletrônica.
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