Comunidade de Ipojuca enfrenta ameaças e medo de despejo
Fonte: NETV – 2ª Edição 06.10.2009
Após vencer a luta contra a falta de energia, moradores de Zé Pojuca denunciam ameaças e ordem de despejo.
Após vencerem a luta para ter energia elétrica, os moradores da comunidade de Zé Pojuca, em Ipojuca, na Mata Sul do Estado, agora convivem com a ameaça de perder as casas onde moram. As 300 famílias que vivem na comunidade denunciam que estão recebendo ameaças de despejo.
Com medo de ter que abandonar o local onde vivem, eles foram à sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), nesta terça-feira, procurar ajuda.
“Derrubaram a ponte e a gente não tem caminho mais para passar. Veio dois despejos para a minha casa. Eu sou viúva”, lamenta a agricultora Lúcia Andrade.
Desde janeiro de 2007, a Usina Salgado teve a inscrição de ocupação cancelada pela Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU) e não teria direito de reivindicara a posse da terra ocupada pelos moradores de Zé Pojuca. Apesar disto, os trabalhadores denunciam que continuam recebendo ameaças e ordens de despejo.
A situação dos moradores da comunidade foi mostrada em agosto de 2005 pelo NETV. Nos sítios em que moravam, não havia nem energia elétrica. Todo mundo no escuro a apenas 500 metros de Porto de Galinhas, um destino turístico conhecido mundialmente. Em dezembro, a comunidade se mobilizou e, na véspera do Natal, as luzes foram acesas em Zé Pojuca.
Com o problema da luz resolvido, surgiram outras dificuldades já em janeiro de 2006. Pouco depois da conquista, os donos da Usina Salgado, que já tinham tentando impedir que o local fosse eletrificado, entraram na Justiça pra expulsar as famílias.
A família do líder comunitário Geraldo Hilário Silva é a mais antiga de Zé Pojuca. Ele disse que, na comunidade, ninguém tem sossego. “A gente não está mais conseguindo realizar os nossos sonhos que é construir as nossas casas. Como também o projeto de levar uma escola para a comunidade, um posto médico. Isto tudo foi por água a baixo.”
Os trabalhadores, ligados à Comissão Pastoral da Terra, querem que o Incra acelere o processo de reforma agrária na região pra que eles possam viver e plantar em paz.
“O Incra precisa designar uma equipe para atuar junto coma GRPU para delimitar quais são as terras públicas que estão sendo ocupadas ainda pela Usina Salgado e seja destinada a regularização da posse dessas famílias. Até porque, as terras públicas, a destinação prioritária a elas é a habitação popular, as famílias de baixa renda. E é o caso dessas famílias de camponeses e pescadores que estão aguardando a regularização”, destaca o advogado Daniel Viegas. O superintendente do Incra, Abelardo Siqueira se reuniu com uma comissão de agricultores e marcou um novo encontro, na próxima quinta-feira, para resolver quando e como será feita a marcação das terras.
Os donos da Usina Salgado não quiseram falar sobre o assunto.
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